Moradores de rua ocupam esquina no Centro da Cidade

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010.
Catadores retirados de praça do Centro seguem para esquina das ruas Liberato Barroso e Tereza Cristina. Local foi escolhido por ficar ao lado de um depósito de material reciclável. Prefeitura promete estudar formas de corrigir o problema

A esquina das ruas Liberato Barroso e Tereza Cristina, no Centro de Fortaleza, está ocupada por catadores de lixo reciclável. O grupo é composto por cerca de 10 adultos e havia sido retirado pela Prefeitura de Fortaleza, no última dia 29, da praça Clóvis Beviláqua, também conhecida como Praça da Bandeira, em frente à Faculdade de Direito da UFC. A turma reclama que não teve escolha de outro local para ir.

O sentimento de alívio despertou os catadores na manhã de ontem. A chuva não veio e permitiu um sono tranquilo, sem transtornos. Cada um está dormindo no carro usado para coletar lixo ou mesmo ao chão. Entre o grupo está o casal Pedro da Silva, 47, e Lindinalva Loureiro, 32. Ambos se conheceram na Praça do Ferreira e acabaram casando, em 16 de dezembro de 2009, na Igreja do Pequeno Grande. O POVO noticiou a cerimônia, em sua edição seguinte.

A mudança dos catadores para a esquina foi divulgada no blog do jornalista Plínio Bortolotti, no O POVO Online, em postagem na última segunda-feira. O local atualmente está tomado por carros de coleta de lixo reciclável. A turma levou, também, os costumes das praças para a rua residencial: a comida é feita num fogareiro cuja fumaça incomoda a vizinhança e o acúmulo de resíduos causa reclamações.

O catador João Patrocínio, 39, preparava o almoço ainda cedo, por volta de 10 horas. ``Feijão, ovo, ossada, gordura, verdura e cuscuz``, descreve o cardápio. ``A lei da rua é assim: todo mundo cozinha. Cada dia um fica responsável``, detalha Francisco Luiz de Sousa Costa, 34. A refeição seria servida a oito pessoas, apontadas como membros ``permanentes`` do grupo. ``É o pessoal que sempre anda junto, não se separa``, completa Luiz.

Mudança
A mudança para a Tereza Cristina faz pouco tempo, mas a turma coleciona os primeiros amigos. ``Sempre passa uma pessoa de bom coração e deixa algo de comer``, comenta Gilberto Bandeira, 40. Mesmo escassa a comida é repartida igualmente. Sobra até para calango ``Toinho``, querido pela turma. ``A bem dizer ele já é da -família-. Quando a gente chegou ele já estava aqui. Com o tempo ele foi ficando perto da gente, comendo, convivendo. Ele quer andar junto, tanto que às vezes tem que mandar ele sair do meio``, descreve Luiz.

A turma acreditava que, com a retirada da Praça da Bandeira, seriam cedidas vagas em abrigos públicos ou unidades habitacionais. Sem a pretensão realizada, foi escolhida a esquina onde há um depósito de material reciclável. ``A gente só quer mesmo é trabalhar. Ninguém pode esperar boa vontade dos outros, não``, sintetiza Pedro da Silva.

Comentários:

Postar um comentário

BANDAS PARCEIRAS